Ao arrepio do mês da Liberdade, abril foi em 2020 um mês de confinamento. Pela primeira vez na vida os portugueses estiveram privados dos seus movimentos quotidianos, trancados em casa. A COVID-19 teve início na China no final de 2019, o contágio alastrou pelo mundo em pose de pandemia, a vida no planeta ficou suspensa. Lisboa fechou-se, ficou deserta e silenciosa, abriu espaço ao som dos pássaros.
Sob o Estado de Emergência fomos aos sítios onde estavam os lisboetas, a casa deles. Encontramos salas de apartamentos onde foram condensadas a empresa do pai, a escola da mãe, as aulas dos filhos. Uma equação complexa, às vezes caótica, que testa cada um.
As máscaras deixaram de ser uma estranheza, foram-se entranhando nos hábitos dos únicos locais frequentáveis: supermercados e farmácias. O frenesim do consumo parou. Os receios das grandes e das micro empresas dispararam. A angústia do desemprego voltou. Criaram-se mercados solidários, ajudas de emergência a quem deixou de ter rendimento.
Viajamos pelas dúvidas e inquietações de jovens e velhos, mais abastados e com menos rendimentos, infetados, recuperados, pela normalidade de uma vida anormal. "Os Dias da Quarentena" é um documento sobre como os lisboetas viveram o abril do confinamento.
"Os Dias da Quarentena" é uma reportagem da jornalista Cândida Pinto, com imagem de Rui Manuel Silva, imagens de drone de Carlos Pinota e imagens adicionais de Emanuel Prezado. Com edição de Samuel Freire e grafismo de Rui Batista.